“A gente não vê o vento,

só o que ele faz.

A gente não ouve o vento,

só vê o que ele traz.”

”…..O gigantinho sente então

a doçura do vento,

um ar suave na mão,

um ventinho a toa,

uma brisa boa”

Anne Herbauts: De que cor é o vento?

“We don’t see the wind,

only what it does.

We don’t hear the wind,

we only see what it brings.”

“…..The little giant feels, then

the sweetness of the wind,

a smooth air in the hands,

a little wind adrift,

a good breeze”

Anne Herbauts: Which colour is the wind?

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Dizem por aí que as coisas que não vemos – as que apenas sentimos – são as mais importantes da vida. Um abraço em quem se ama tem efeitos muito maiores do que aquele breve período de tempo em que ocorre o contato físico. Às vezes, ele significa tanto a ponto de ser lembrado para sempre.

They say that things we don’t see – the ones we just feel – are the most important in life. A hug from someone you love has a much greater effect than that brief period of time in which there is physical contact. Sometimes it means so much as to be remembered forever.

Quando partimos para um downwind, sabemos que o que nos espera é muito mais do que a experiência física. São dias em que os sentidos do nosso corpo são especialmente aguçados pela quantidade de emoções vividas em um curto espaço de tempo. Depois de um downwind como o do Surfin Sem Fim, em que se atravessa fronteiras, tudo ganha um novo sentido. Passamos a nos sentir mais parte desse todo, mais conectados à natureza, cuja beleza é tanta que nos custa acreditar que o que estamos vendo na viagem não é um sonho.

When we leave for a downwind, we know what awaits us is much more than physical experience. There are days when our bodily senses are especially heightened by the amount of emotions experienced in a short time. After a downwind as Surfin Sem Fim, in which borders are crossed, everything takes a new meaning. We begin to feel more part of that whole, more connected to nature, which beauty is such that it costs us believe that what we are seeing on the trip is not a dream.

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Mas os olhos estão bem abertos, por mais que às vezes a única vontade seja de fechá-los e apenas sentir o vento acariciando nosso rosto e nos guiando por entre um cenário de beleza arrebatadora.

Ah, o vento… a razão de tudo isso.

But the eyes are wide open, even if sometimes the only desire is to close them and just feel the wind caressing our faces and guiding us through a scenario of overwhelming beauty.

Oh, the wind…the reason for all this.

Afinal, não há velejo sem ele. Não há velejador que não o aguarde ansiosamente. Ao mesmo tempo em que bate forte e nos faz voar – física e espiritualmente – ele também parece sussurrar serenamente em nossos ouvidos enquanto desenhamos nossos movimentos sobre a água e sob o sol. É surreal não podermos vê-lo ao mesmo tempo em que sentimos tão intensamente sua ação.

After all, there’s no kitesurfing without it. There’s not a single rider who doesn’t wait for it anxiously. At the same time that it hits hard and makes us fly – physically and spiritually – it also seems to whisper quietly in our ears while we draw our movements on the water and under the sun. It’s surreal that we can’t see it while we feel so strongly its action.

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A bonita e singela poesia que abre este texto cita um tal “gigantinho”. Bem, é justo afirmar que esses pequenos grandes somos nós, os velejadores. Tão pequenos cercados pela imensa natureza, mas tão grandes quando conseguimos perceber o que podemos fazer com um kite e alguns bons nós.

The beautiful and simple poetry that opens this text mentions a “Little Giant”. Well, it’s fair to say that these big little ones are us, the riders. So small, surrounded by immense nature, but also so great when we realize what we can do with a kite and some knots.

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Bem além de qualquer espaço físico, o vento nos faz atravessar a fronteira de nossos próprios corpos e chegar mais perto de nossas almas. Forte, mas sem perder a doçura, ele sopra para nos alçar a destinos maiores. Para aumentar nossa percepção sobre a vida e a natureza. Para que nos encontremos com nós mesmos.
Beyond any physical space, the wind makes us cross the border of our own bodies and get closer to our souls. Strong, but without losing the sweetness, it blows us to reach bigger destinations. To increase our perception of life and nature. For we to meet ourselves.